Logo após se instalar neste apartamento no bairro da Barra, em Salvador, a família abandonou a ideia de ocupá-lo apenas temporariamente. A decisão foi guiada pela paisagem oceânica estonteante, que invade o imóvel de 300 m² por meio da varanda integrada ao living, solução que amplia a área social e dissolve os limites entre interior e exterior.
Voltado para o mar, o living abriga um bar embutido em nicho escamoteável, recurso discreto que oferece comodidade para desfrutar do som das ondas e da atmosfera relaxante que permeia o espaço. Ajustes precisos no layout original também contribuíram para a permanência definitiva do casal, como a ampliação da suíte master, a integração do home theater à sala e a criação de um acesso reservado ao lavabo, com porta camuflada em painel de madeira e posicionamento afastado da cozinha.
A sensação de acolhimento é reforçada pelo uso expressivo da madeira, que envolve paredes, pilares e vigas, criando um efeito de caixa elegante e contínuo. Em contraponto, um tapete de desenho orgânico e cores marcantes rompe a rigidez das linhas estruturais e introduz movimento ao ambiente.
Para lidar com o pé-direito baixo, o projeto luminotécnico adotou trilhos e spots fixados diretamente na laje, solução repetida no lustre Sputnik que se destaca sobre a mesa de jantar, preservando a leveza visual. No piso, o mármore Piguês, de tonalidade sóbria, estabelece uma base neutra e silenciosa, permitindo que a curadoria de arte se destaque.
Entre as obras, figuram um quadro de Hildebrando de Castro na área social e, logo na entrada, uma composição que reúne escultura de Alfredo Ceschiatti, fotografia de Mário Cravo Neto e um antigo banco de missa, elementos que conferem densidade cultural e identidade ao projeto.