Conciliar o clima praiano com a urbanidade contemporânea foi o ponto de partida para o projeto de interiores deste apartamento de 300 m², em Salvador. Pensado para um jovem casal de empresários, com uma filha pequena, o espaço reflete equilíbrio entre sofisticação, conforto e acolhimento.
O piso existente — uma pedra industrializada composta por pó de mármore e vidro — foi preservado a pedido dos moradores. Seu brilho natural orientou as demais escolhas do projeto. Em contraponto, David Bastos envolveu a área social com lambris de madeira que se estendem quase até o teto, criando uma atmosfera mais quente e convidativa. Pintados de branco, os painéis mantêm as ranhuras aparentes entre as tábuas, detalhe sutil que acrescenta textura e suavidade ao conjunto.
O aconchego se reforça nos elementos têxteis e no mobiliário: o tapete listrado e os grandes pufes de couro, posicionados entre sofás de linhas limpas, equilibram informalidade e elegância. Mesmo com uma dinâmica familiar enxuta, o projeto não abre mão de uma sala de jantar generosa, pensada para receber. A mesa de madeira, com capacidade para dez pessoas, se destaca sob a luz abundante que atravessa a fachada envidraçada do edifício.
A curadoria de arte dialoga diretamente com o conceito arquitetônico. As fotografias em preto e branco de Daniel Maia reforçam a sobriedade cromática, enquanto as cores surgem de forma contida e precisa, como nos orixás do escultor Tatti Moreno e na intervenção sobre fotografia de Gustavo Moreno.
O resultado é um apartamento que equilibra leveza, identidade e permanência, onde o morar urbano encontra a serenidade do litoral em uma composição madura e atemporal.